HELLOOO!!! EU TAMBÉM SOU NEGRO!

Até que demorou um pouco, mas como eu previa, deu merda. Alexandre Pires foi acusado de incitar o racismo em seu clipe, “Kong”. Não que eu ache que tenha algo de racista no tal vídeo, porque não acho mesmo.  Mas eu sabia que teria gente vendo preconceito na coisa. 

Na verdade, a grande ingenuidade não está em “perceber” algo de preconceituoso nesse clipe. Ingenuidade mesmo foi o cantor, empresário, diretor, gravadora e todo o resto terem pensado que não haveria nenhuma repercussão desse tipo depois. 

O caso é que o vídeo choca mesmo apenas por ser uma das piores coisas já filmadas em termos de clipe: uns caras vestidos de gorila, embalados por uma música horrorosa e uma coreografia patética. 

Por que então tem gente dizendo que o tal “Kong” é racista? Bom, ironicamente, deve ser porque há negros participando dele – além do próprio Alexandre Pires e Mr. Catra com roupas de gorila, tem várias moças negras de biquíni (todas bem gostosas, assim como as loiras e as morenas).  E isso, ainda que definitivamente sem querer, acaba pondo o dedo na ferida do preconceito racial. 

Então, se o Alexandre Pires fosse branco e não houvesse negros na galera dançando e cantando  “Kong”, não haveria nenhuma associação ao racismo? Eu acho que não haveria. É só uma suposição minha, claro...  E não que eu queira entrar numas de provar que estou certo, mas pra quem nunca viu o clipe “Bad Touch” de uma banda chamada Bloodhound Gang, eu sugiro que o acesse no Youtube. 

Nesse clipe (até engraçadinho, por sinal), os integrantes aparecem vestidos de macaco, dando em cima de umas modelos bem gatas pelas ruas de Paris. Outras pessoas aparecem no vídeo e, no final, rola até uma coreografia intencionalmente tosca e sexista. E ninguém que aparece nele (os integrantes da banda, as modelos e todo o resto) é negro. Coincidência ou não, o tal clipe nunca foi considerado racista. 

Já no filme “Instinto”, de 1999, o ator inglês (e branco) Anthony Hopkins interpreta um antropólogo que desenvolve instinto animal após passar dois anos perdido em uma selva com gorilas. À época de seu lançamento, perguntaram ao Cuba Gooding Jr. (que também integra o elenco, no papel de um psiquiatra) sobre a escolha de Hopkins como protagonista.  Gooding Jr., que é negro, respondeu ironicamente que foi melhor assim, pois um negro no papel poderia ter soado racista. Tirando essa observação do ator, o filme também nunca foi associado ao preconceito racial. 

Então, o branco pode se vestir de macaco na boa, mas se o negro também o fizer, automaticamente estimulará o racismo pra si mesmo? Bom, nos dois casos, cada um faz o que achar melhor. A questão  não está em se vestir de macaco, mas no tipo de percepção que uma ou mais pessoas poderão ter disso tudo depois. 

O fato é que liberdade de expressão não é só abrir a boca pra se dizer o que pensa. Ela serve também pro artista expor a sua arte. E isso pode resultar em algo como no caso do Alexandre Pires – ainda que chamá-lo de artista e sua música e o tal clipe de arte seja apenas uma demonstração de incoerência e corporativismo (ou até mesmo de babaquice...). 

No Brasil, a liberdade de expressão é um conceito recente e ainda difícil de ser assimilado na prática.  E claro que o preconceito racial também é uma realidade por aqui. Só que a baixa auto-estima da nossa sociedade não faz distinção, ela vale para todas as raças – e isso pode gerar sentimentos desnecessários, como no caso do clipe em questão. 

O Danilo Gentili já escreveu que o Brasil é uma gorda de 300 quilos que odeia ser chamada de gorda, mas que também não faz nada pra mudar isso. E completou dizendo que a auto-estima do brasileiro tem a profundidade de um pires cheio d’água. Eu já escrevi aqui que não sou fã do cara. Por outro lado, concordo plenamente com as palavras dele.  Isso não quer dizer que o negro tenha de engolir se for chamado de macaco ou coisa do tipo, muitíssimo pelo contrário. Só que o Alexandre Pires não fez nem uma coisa e nem outra no tal vídeo. 

Combater e punir o preconceito é muito importante, mas só isso não adianta. O sistema de educação deveria ter uma política efetiva pra ensinar que toda forma de discriminação, além de errada, é inútil. Se isso já existe ou se algum movimento corre atrás pra que isso aconteça, lindo.

Não sei se é porque eu escuto mais o rock dos gringos do que a música daqui, mas pra mim, o Alexandre Pires não é um cara que eu associo muito à música. Eu sei que ele foi o vocalista do Só Pra Contrariar e, há alguns anos, continua cantando o seu pagode "mela-calcinha" em carreira solo. Mas a verdade é que eu lembro mais dele por seus relacionamentos com mulheres de gostosura duvidosa (como Simony e Carla Perez); ou pelo fato de, em 2000, ele ter se envolvido em um acidente de carro que culminou na morte de um homem... E agora, por ser o cantor negro acusado de preconceito... Contra os negros.

Pra demonstrar que eu não sou preconceituoso, eu poderia terminar com uma citação profética de Martin Luther King: “Temos de aprender a viver todos como irmãos para não morrermos todos como loucos.” Porém, por mais que eu goste e concorde com essa frase, ela é séria demais e não casa muito com a minha retórica, digamos assim, tosca ao escrever. 

Então, eu posso concluir dizendo que sou apenas o filho de um branco que descendia de italianos; apesar disso, sempre tem gente me questionando se eu sou índio, japonês, boliviano ou chileno. Às vezes, só pra tirar uma onda, eu respondo que sou irlandês. O meu sobrenome é Galante (sem grau de parentesco com o Carmine Galante, até onde eu sei). Por outro lado, como a minha mãe é negra, eu posso até me dar o direito de fazer das palavras que usei como título, as minhas (mesmo que quase ninguém perceba  a ascendência negra em mim...).

 

 


 



Escrito por Gavin às 16h33
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Todo fã é um idiota (menos você, é claro!)

Podem achar que é só uma tentativa minha de criar polêmica, mas é verdade: nem o próprio Jesus Cristo agradou/agrada gregos e troianos. E pode parecer outra barbaridade, mas também é verdade: o mesmo vale pros Beatles. 

Claro que não estou colocando Cristo e Beatles no mesmo patamar (isso era coisa que o John Lennon gostava de fazer). Mas o fato é que só esses dois argumentos deveriam fazer os fãs xiitas de qualquer artista/banda, ator/atriz, filme/série se tocarem o quão estúpido é esse lance de se doer e defender seus ídolos da mesma forma que fariam se xingassem suas mães. Mas, provavelmente, na prática, a teoria seria outra: isso seria apenas mais um motivo pros manés deixarem o bom senso de lado e iniciarem mais um quebra-pau. 

Uns meses atrás, eu escrevi que havia perdido as esperanças de que o "Chinese Democracy" (disco que o Guns n' Roses lançou em 2008) salvaria o rock. isso aconteceu após ver Axl Rose e cia. mandarem algumas das músicas do tal álbum no Rock in Rio 2001.  

O caso é que, há alguns dias, eu critiquei solenemente esse disco num site especializado em rock e heavy metal. Embora a própria constituição me garanta a liberdade de pensamento e de expressão, dois babacas se doeram e levaram a coisa pro pessoal. Um me chamou de louco e disse que eu precisava me tratar; outro falou que "infelismente", minha opinião era tosca. Esse mesmo que falou pra eu me tratar aproveitou e mandou outro carinha "ir tomar" e ouvir Restart; claro, tudo isso de graça, assim como foi comigo.  

Mas o que o tal "Chinese Democracy" tem de tão ruim? Bom... Pra começar, ele demorou quase dez anos pra sair - e a espera simplesmente não valeu a pena. A grande maioria das suas músicas, além de bem fraquinhas, não lembram em nada o Guns n' Roses de outrora (o que faz pensar que Axl Rose só manteve o nome da banda por razões de  ego e marketing). A balada "Madagascar", única canção que até poderia remeter aos bons tempos do Guns, é cantada por um Axl que mais parece ter acordado após uma sessão de tortura; ironicamente, essa música ficou bem melhor ao vivo no Rock in Rio. Eu costumo dizer que, em meio a tantas especulações e expectativas em torno desse álbum, o seu único e verdadeiro mérito foi ter sido realmente lançado; afinal, por um tempo, muita gente (inclusive eu) chegou a duvidar que isso aconteceria. 

Dizem que todo fã é um idiota. E eu achava que já tinha passado dessa fase há muito tempo, até ter me indignado pelo fato do Axl ter se recusado a aparecer no Rock n' Roll Hall of Fame, que homenagearia o Guns. Só que depois, até entendi sua decisão: participar do evento geraria mais especulações sobre uma reunião do Guns n' Roses (coisa que, há muito tempo, não acredito  que vá acontecer); e isso, de certa forma, acabaria por "rebaixar" a imagem da atual formação do grupo.  

Além do mais, a turma do Rock n' Roll Hall of Fame bem que mereceu passar por uma dessas. Afinal, graças a uma política estúpida de indicação de bandas e artistas (e o medo de terem sua imagem associada aos fãs metal-podreira), eles continuam ignorando grandes nomes do rock e do heavy metal. Enquanto isso, homenageiam nomes como Madonna, ABBA e Bob Marley, que, sabidamente, não representam nenhum dos dois estilos. 

Seja como for, a idolatria continua dominando os miolos daquele tipo de fã cujo ego é tão resistente quanto um pintinho nascido no inverno. E exemplos horrendos e dignos de vergonha alheia não faltam. 

A mocinha na foto que usei para ilustrar este texto ganhou notoriedade por ter tatuado na testa o nome do rapper Drake (deixando até o próprio horrorizado). Em 1996, boa parte dos fãs do Iron Maiden praticamente botaram o Skid Row pra correr do palco do Monsters of Rock, em São Paulo. Já o Youtube é campeão por reunir sozinho, em vídeos e comentários, tanto devoto de porcaria. Em 2007, Chris Crocker ficou famoso por "atuar" aos prantos para que deixassem a Britney Spears em paz. Alguns anos depois, o paulistano Davis Reimberg botou a boca no trombone pra defender a Xuxa. Em 2010, uma adolescente chorona e desesperada também ficou famosa  ao mandar o seu "puta falta de sacanagem" por não ter conseguido chegar perto dos seus ídolos - o Restart. Há pouco tempo, uma menininha de 13 anos fez um vídeo comprando briga com o Felipe Neto (e, por tabela, com a fluência verbal...) pra defender o Fiuk, o Justin Bieber e o seriado "Vida de Garoto", da MTV. No ano passado, um pivete me chamou de favelado, macaco e "filho de um caminhão de putas com HIV", graças a um comentário que eu postei sobre o Los Hermanos no site. Sem falar nos muitos (não todos, vale dizer) fãs babacas do Michael Jackson... Muitos outros se revoltaram com quem não teve vergonha de dizer que a Amy Winehouse finamente encontrou o que tanto procurava - por conta do seu perigoso e patético estilo de vida. 

É melhor eu nem sair da arte pra ir pro esporte. Se eu fosse falar sobre a postura de alguns torcedores, o texto ficaria muito grande pros padrões do blog. E aqueles fãs de celebridades do 645827º escalão (que costumam sair de reality-shows como "Big Brother" e "A Fazenda") também não ficam atrás.

É um grande alívio saber que estou bem longe dos exemplos que citei acima; inclusive porque eu sei muito bem a enorme diferença entre avaliar o trabalho de um artista e ofender uma pessoa. E quando penso naqueles infelizes "socializando" o som do pancadão nos coletivos, vejo que o meu caso não é nada grave. 

Por outro lado, vale lembrar que eu comprei o "Chinese Democracy" assim que foi lançado - mesmo sabendo que, além de ser uma bosta, poderia ter baixado de graça na internet. Idiotice de fã... O que mais seria? E ainda bem que, definitivamente, você não é assim... Certo?

 

 



Escrito por Gavin às 17h09
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Você gostava de ir pra escola? Nem eu...

 

 

Eu não tenho vergonha de admitir: eu nunca fui lá muito chegado em ir pra escola. Não que isso fosse um martírio, porque não era mesmo. Mas não ir pra escola, pelo motivo que fosse, era muito melhor. E olha que eu até era um bom aluno.

O psicólogo estadunidense Daniel T. Willingham lançou o livro “Por que os alunos não gostam da escola?”. Claro, eu não sou psicólogo; e nem quero desestimular a leitura de quem pretende comprar o tal livro. Mas com base na minha experiência, vou explicar  de forma bem mais simples e sucinta porque a molecada sempre lamenta quando o domigo está chegando ao fim. E o melhor: como eu tenho coração de ouro, farei tudo isso de graça.

As crianças não gostam da escola porque, dependendo do horário, precisam acordar muito cedo pra chegar nela. Não gostam de ir pra escola porque, muitas vezes, são obrigadas a vestir um uniforme idiota. Não gostam de ir pra escola porque, durante cerca de quatro horas, são forçadas a se manterem caladas, fazendo lição e escutando o professor falar - e sendo obrigadas a lutar contra o hábito natural de interagirem umas com as outras. E de brinde, os professores passam a lição-de-casa; de segunda à sexta. E tudo isso é tão chato, tão sacal e tão detestável que os fins-de-semana e as férias são motivos de festa. 

Ricardo Semler não hesita em dizer que o sistema de educação é medieval. Em uma palestra direcionada a ministros da educação, ele os desafia a citar três elementos da tabela periódica em seqüência. E claro que ninguém abre a boca pra cumprir o desafio. 

Ah, sim: pra quem não sabe, Ricardo Semler é empresário, sócio majoritário da Semco/SA. Além disso, é formado em Direito pela USP, estudou Administração em Harvard, é membro da SOS Mata-Atlântica, autor de livros como "Virando a Própria Mesa" e "Você Está Louco!"... E fundador da Escola Lumiar, uma das mais conceituadas de São Paulo - justamente, pelo método diferenciado de ensino.

Já Robert Kiyosaki, autor dos livros da série "Pai Rico, Pai Pobre", costuma dizer que o sistema de ensino oferece muito conteúdo pra pouco contexto. Só pra deixar esse pensamento mais claro, observe os exemplos: 

Em Língua Portuguesa, além de muitos conceitos básicos, passamos vários anos entre Ensino Fundamental e Ensino Médio vendo e revendo coisas como advérbio, adjunto adverbial, locução adverbial, adjunto adnominal, verbo transitivo, verbo intransitivo, objeto direto, objeto indireto, orações subordinadas, orações coordenadas...  Mas, por outro lado, tem gente que não sabe diferenciar “mais” e “mas” na hora de formular uma frase escrita. Muito aluno de escola paga sequer sabe explicar porque “assado” se escreve com dois “s” e “cansado”, com um só. No fim do mês de julho, muito pai fica desesperado atrás do livro que o filho foi obrigado a ler durante as férias. Bela forma (e época) para se estimular a leitura – principalmente naqueles que costumam abrir um gibi só pra ver os desenhos. 

Matemática? Sim, além das quatro operações fundamentais e tabuada, tínhamos expressões, raiz quadrada, potenciação, radiciação, números primos, equação de primeiro e de segundo grau, fração, números imaginários, análise combinatória, geometria, hipotenusa, cateto oposto, teorema de pitágoras... E muito adulto por aí vive na pindaíba e devendo as cuecas simplesmente porque não sabe lidar com números – afinal, o colégio não ensina nada sobre o conceito de inteligência financeira.  

Ciências? Deixa ver... Aprendemos sobre ar, água e solo, seres vivos, corpo humano, química, física... Aprendemos a diferença entre anfíbios e répteis (você também lembra qual é?). Aprendemos sobre destros e canhotos, fotossíntese, estados da água, velocidade média, massa e volume, biogênese e abiogênese... Qualquer um aprende a plantar feijão em algodão molhado no copinho plástico.  Porém, salvo uma palestrinha ou outra, não aprendemos quase nada sobre o perigo das drogas, DSTs e métodos contraceptivos... Ou mesmo algo sobre consciência ambiental e sustentabilidade... Ou alimentação saudável - sim, seria ótimo se a molecada aprendesse que comer direito não significa necessariamente encarar um sanduba de tofu com broto de feijão. 

Não estou dizendo que tudo o que a escola ensina não tem importância. Eu apenas questiono se a serventia disso realmente vai além da mais óbvia: eliminar candidatos em vestibulares e concursos públicos. E no momento em que, muitas vezes, sequer nos lembramos da maior parte desse conteúdo, visto e revisto dia após dia, durante anos (com direito a trabalhos e muita lição-de-casa), consigo concluir apenas que há algo muito errado nisso tudo. 

Já que é pra ir pra escola de segunda à sexta, durante doze anos entre Ensino Fundamental e Ensino Médio (agora inventaram o tal do nono ano...), que tal se ensinassem algo realmente útil para cada um de nós – e que pudesse servir para todo santo dia de nossas vidas?  E com um jeitinho bem menos repressor? Talvez assim, a sala de aula até se tornaria um lugar mais agradável. Ou melhor dizendo: um lugar agradável.

O sistema de educação se presta, quando muito, a formar a mente. Só que, mais do que mente, deveria servir também pra formar "gente". De moleques, deveríamos aprender sobre a constituição e saber os nossos direitos. Deveriam ensinar pra que servem os políticos. Deveriam ensinar sobre a importância de não se falar com estranhos. Deveriam ensinar sobre respeito ao próximo, independente de classe, idade, sexo, raça, origem, credo, orientação sexual etc. Cidadania deveria ser ensinada desde o pré (mas sem esbarrar naquela cretinice de Educação Moral e Cívica). Talvez assim, o Brasil até deixaria de ser conhecido como uma "nação de espertos". 

Ah, mas falam que muito disso aí tem de vir do berço... Pois é. Só que a escola deveria assumir também o compromisso de ensinar aquilo que nem sempre se aprende em casa. Afinal... Não estamos falando de educação?

 

 

 

 



Escrito por Gavin às 01h14
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Quê? Era pra rir?

Parece que nunca foi tão fácil bancar o humorista no Brasil. É sério. Bom, na verdade, sempre foi fácil... Por exemplo, só o humor fajuto da Praça É Nossa já tem mais de 20 anos no SBT. Mas parece que, ultimamente, está tão fácil, mas tão fácil fazer o brasileiro rir, que nem precisa mais virar hippie se nada der certo; é só fazer stand-up. 

Como se sabe, o stant-up nasceu nos Estados Unidos. E em geral, o estadunidense que faz stand-up é aquele sujeito fracassado, de caráter duvidoso, mora na casa da mãe (à essa altura, deve ter conhecido meu achando que estou falando de mim mesmo), mas que consegue tirar proveito do seu perfil nada requisitado nas agências de emprego. Já o cara que faz stand-up no Brasil não é muito diferente... O problema é que ele é muito mais descolado do que divertido; tão descolado que tem moral até pra tirar o negro de macaco.  

Outro dia, o Felipe Hamachi (um sujeito muuuuuuito engraçado) fez uma piadinha mencionando macacos e Aids e olhou para o tecladista da banda, Raphael Lopes, que é negro. Ofendido, o cara não hesitou e chamou a polícia.  E o mais esquisito foi o fato de os pagantes terem assinado um termo de compromisso no qual não se sentiriam ofendidos com as piadas - algo tão coerente quanto o público fazer o humorista assinar um termo no qual se compromete a fazer rir.

Uns tempos atrás, o Danilo Gentili (que, pra mim, é outro mané) soltou um texto no qual se perguntava porque não pode chamar um negro de macaco. Uma galera no Facebook andou compartilhando o tal texto e dando razão pro engraçadinho - só que, pelo menos dos que eu vi compartilhando, ninguém era negro(a). Aliás, se eu fosse negro e alguém me chamasse de macaco, o infeliz estaria na bosta - incluindo o próprio Gentili.

E como estamos na era digital, tem também aqueles que viram piada por acaso. Por exemplo, o tal do "Para Nossa Alegria", um vídeo de uma família cantando (digo, "cantando"...) algo que parece ser um hino de louvor ao Senhor; embora os vocais da mocinha mais pareçam ter sido tocados por "alguém lá de baixo". 
Se não for o maior exercício anônimo em prol da vergonha alheia, ao menos é o mais atual. E pelos comentários, a galera deve ter gargalhado até um dos lados da cabeça explodir, como acontece em um filme B.

Mas claro, tudo é uma simples questão de livre arbítrio: mudar de canal ou simplesmente desligar a TV, não acessar o vídeo no Youtube, nem ir às apresentações de humoristas falidos. E isso é fácil... Só que mais difícil do que engolir o Serginho Mallandro na TV paga é entender porque tem tanto brasileiro achando graça em tanta mediocridade. Ok, o Pânico até rende umas risadinhas... Mas o grande trunfo do programa está no já velho (porém, maravilhoso) recurso das bundas femininas perfeitas - as quais, logicamente, não despertam exatamente risos.

Fica a impressão de que o brasileiro é estimulado mais pelos olhos e ouvidos do que pelos miolos quando dá risada - daí a popularidade de figuras como "Valéria e Janete", "Freddie Mercury Prateado" e "Jô Suado"... Ver alguém achando graça nesses tipos não me soa muito diferente de uma criança rindo de um palhaço que escorrega numa casca de banana. Não é à toa que os Rafinhas Bastos da vida, com suas piadas dignas de fundão da sétima série, acabam vistos como verdadeiros gênios.

Estou soando prepotente? Dane-se, mas a verdade deve ser justamente essa: em sua maioria, o humor que se faz por aqui caminha de acordo com o nosso IDH - que, por sinal, é tão primoroso quanto qualquer personagem da Escolinha do Gugu. 

Então, não tem humor que preste por aqui? Até tem... Por exemplo, o Gil Brother no Canal Away consegue me arrancar muitas risadas com seu jeito de psicopata e sua pronúncia capaz de fazer a Geisy Arruda parecer uma diplomata. O João Vitor Lima, mais conhecido como "João Revolta" também é ótimo, embora sua premissa não seja exatamente o humor, mas sim fazer a galera pensar. Até porque, no caso dele, o riso é uma consequência:  o cara não tem papas na língua pra tirar flanelinha de bandido, Kassab de viado, Maluf de ladrão e eleitor do Tiririca de otário. O finado "Hermes e Renato", da MTV, também era imbatível, graças à sua magistral tosqueira.

E por falar em "talentos" revelados na internet, aquele vídeo de uns moleques fazendo cover de "Sweet Child O' Mine", do Guns n' Roses, é não menos do que hilário - principalmente pelo "vocalista", com sua silhueta mais rotunda que a do próprio Axl Rose e sua técnica de canto que parece ter sido aprendida com o Zed (aquele doidão histérico do Loucademia de Polícia). Aliás, o vídeo é tão capenga quanto o do "Para Nossa Alegria"... Só que, no caso dos "rockstars", a graça está justamente na absurda impressão de que eles realmente se levam a sério.

Por outro lado, eu já concluí que o humor é o gênero mais pessoal de todos (como mencionei uns tempos atrás). E eu posso até ter o meu grau de prepotência, mas estou tranquilo... Afinal, não sou eu quem está quebrando a cabeça no Google pra entender o conceito de IDH enquanto racha o bico assistindo o Marcelo Mansfield no Youtube.

 

 



Escrito por Gavin às 02h00
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O Guia Infame de Etiqueta – Vol. 1 (acredite, ele pode te ajudar!)


 

Já fazia tempo que eu não escrevia nada. Tanto que algumas pessoas até andaram me questionando sobre isso (e acredite: nenhuma delas era a minha mãe). E como sempre vejo muita postura escrota por aí, percebi que estava na hora de escrever um guia de etiqueta. Porém, aprender os bons modos não é tarefa das mais simples, então este é apenas o volume 1. Aproveite bem esses inestimáveis ensinamentos e, num futuro nada remoto, muito ogro que nasceu na Suíça vai querer ser como você. 

Dinheiro 

Ecomonia vs. Avareza:

Aprenda a enorme diferença entre ser econômico e ser pão-duro. O econômico é aquele cara que pesquisa pelo melhor preço (a internet é uma poderosa aliada nesse caso); é o cara que se não sabe quanto custa, entra na loja e pergunta; se acha caro, apenas sorri e agradece. O econômico sabe diferenciar o caro e o justo. Ele não pede desconto, negocia valores; e só faz isso na hora de comprar algo que custe muito dinheiro - como uma casa ou um carro novo. E só se recusa a pagar por ítens realmente inúteis (como anuidades de cartão). Se por um lado, o econômico é cauteloso e não  esbanja, por outro, não é apegado a dinheiro; e, justamente por isso, não fica "miguelando" na hora da compra. E independente de ser ou não "abonado", é o cara que sempre tem uma graninha e cartões no bolso pra se garantir em qualquer eventualidade.  

Já o pão-duro é aquele chatão que chora desconto até pra comprar uma cartelinha de analgésicos na farmácia; é aquele cara que não se faz de rogado pra dizer que está caro - e acha relevante "informar" que na outra loja está mais barato. Ou então, fica sem jeito e diz que vai dar um rolêzinho e volta depois. O pão-duro não tem cartão de crédito simplesmente porque não sabe usar. Ou seja, é um verdadeiro mané desprovido de qualquer migalha de inteligência financeira. Não é à toa que, vira e mexe, o pão-duro está... Duro. 

Filas 

Jamais dê showzinho ou fique de cara feia se, após a meia-noite, você tiver de esperar pela eternidade de cinco minutos na fila de um caixa de super-mercado 24 horas. Afinal, considerando que atualmente, já somos mais de 5 bilhões em todo o planeta, até que é pouquinho outros quatro ou cinco espécimes da raça humana na sua frente, certo?

Bancos

Quando entrar em uma agência, nunca fique puto(a) só porque a mídia vive enaltecendo com falsa militância social que os bancos ganham uma grana que você jamais ganhará (nem mesmo se você conseguisse multiplicar seu tempo de serviço com o mesmo coeficiente que eles usam para calcular os juros do seu calote). Além disso, vale lembrar que a porta giratória é apenas mais uma forma de segurança; ou seja, nada de escândalo se a porta te barra por causa das suas pulseiras, brincos, colares, isqueiro Zippo falsificado, celular, ferro de passar na bolsa etc; até porque, banco é uma coisa, casa de penhor é outra.  

Transporte Público 

Respeite a vez de quem está na sua frente na hora de entrar no ônibus, no trem e no metrô. Aliás, se o seu grande problema for pressa, jamais se esqueça de conceder a si mesmo(a) uma valiosa gentileza: chegue antes (essa também vale pro banco e mercado 24 horas). E se você já chegou na "melhor idade" e está lendo este texto enquanto passa por sites de putaria e culinária, não fique bravinho(a) quando o cobrador pedir o seu RG quando você mostrar seu bilhete-único especial. Enquanto bater boca com o profissional é desnecessário, desagradável e te consome energia, mostrar a identidade é um ato que deve levar apenas dez segundos - e até onde se sabe, ninguém morreu por fazer isso. E para os caras: nada de se aproveitar da lotação no coletivo pra "tirar uma casquinha" das minas; lembre-se: não faça no corpo de uma desconhecida (ou mesmo conhecida...) o que você não quer que um desconhecido (ou conhecido...) faça no corpo da sua filha, irmã, esposa, mãe...

Internet 

Gosto se discute e se lamenta, sim! Se não fosse assim, não existiriam os grupos de discussão e espaços para comentários na internet. E por mais que você seja bem-informado, estudado, escreva bem etc, jamais leve pro pessoal se alguém meter o pau na banda/artista, filme/série, ator/atriz que você admira. Sentir dor pelos ídolos e fazer guerrinha virtual com desconhecidos por causa disso é coisa de bundão. E da mesma forma que o Los Hermanos é realmente uma bosta, nem todo cidadão deste mundo chegou a um patamar de bom senso para perceber que o Mötley Crüe é o máximo. 

Sexo  

Se você conhecer uma gatinha na balada e render sexo dos bons na mesma noite, não seja imbecil de tachar a moça como vadia ou coisa parecida. Afinal, se você vestiu sua roupinha de missa antes de sair, criou coragem pra tomar a iniciativa e chegar junto, fez um esforço sobre-humano para dizer só as palavras certas e ser interessante o tempo todo e, além de tudo, bancou o motel sozinho, convenhamos: a transa estava em seus planos o tempo todo. Ou você só foi pra night porque estava a fim de dançar? 

Filhos vs. Filhotes 

Eduque os seus filhos. E recolha a merda que o seu cachorro deixa na rua.

Trabalho 

"Níver" de coleguinha: 

Quer dar presente? Use seu próprio dinheiro e compre. Ninguém é obrigado a beijar o rabo desse câncer chamado "corporativismo" e participar de "vaquinhas".  

"Arrume um emprego de verdade.": 

Diga isso apenas para flanelinhas e operadores de telemarketing ativo que te acordam às 9 da manhã no sábado (se algum operador de telemarketing ativo se ofendeu com essa, ressalto que também já fui um anos atrás; e arrumei outros empregos depois; todos de verdade).  

Antes Professor Pasquale do que Carla Perez... 

Aprenda a falar e a escrever corretamente. "Mas" é uma coisa e "mais" é outra. Termos como "menas", "tóchico", "salchicha", “mendingo”, "adevogado", "guspir", "seje/esteje", além de expressões como "pra mim fazer", “meia cansada” e "já tinha chego" costumam provocar verdadeiras brochadas cerebrais em quem as ouve. Aliás... Alguém sabe me explicar por que o sujeito que fala "tóchico" nunca diz que precisa chamar um "táchi"?  

Leia essas palavras em voz alta: "Por favor"; "Obrigado(a)"; "Com licença"; "Desculpe".

Reparou como, de repente, até você ficou parecendo uma pessoa melhor?

Aperfeiçoando Frases Feitas 

Respeite os mais velhos. Mas só se respeitarem você. 

Por último, mas não menos importante, olhe bem para a foto que usei para ilustrar este texto. E jamais faça o mesmo em púbico.

 

 



Escrito por Gavin às 00h19
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Julgando pela capa, literalmente

 

 

Não. Não... Tô falando que nã... Cacete, não! Eu não estou defendendo a Época! Muito menos o tal do Michel Teló! 

E quem disse que eles precisam de mim ou qualquer outro infeliz pra se doer por eles? Até porque se for pra tomar partido, prefiro mil vezes detonar uma das Playboys de 1998, aquela com a Cindy Crawford na capa - uma verdadeira decepção na minha vida sexual solo; não por ela, que continua estonteante, mas pelo ensaio em si, "artístico demais". Porém, como isso já não interessa nem a mim mesmo, então vou falar da Época com o Michel Teló na capa.

O fato é que ainda quase ninguém acredita, mas apenas lembro novamente: eu sou um sujeito humilde. Por isso, ainda que o meu feeling me desse uma certeza praticamente absoluta, eu preferi ouvir por mim mesmo o hit que o cantor emplacou por aí, o tal do "Ai, se eu te pego". E logicamente, concluí algo que minha crítica a priori me pouparia: a musiquinha é realmente uma merda. 

Se por um lado, a tal capa agradou às inúmeras fãs do cara, aquelas malucas que assistem aos seus shows berrando, chorando e loucas pra tomar um suquinho natural no camarim dele, por outro, teve muita gente que achou, assim, meio estranho. Por exemplo, no Facebook, vi algumas pessoas compartilhando o link de um blog chamado "Literatortura: A Literatura dos Depressivos", no qual o seu idealizador posta um texto se adiantando não ser tudo aquilo que ele realmente soa: "pseudo-intelectual, pseudo-crítico, pseudo-o-caralho". E desce todo o seu sensível cacete intelectualoide na revista, afirmando que houve erro injustificável para a escolha da capa, que deveriam se desculpar com o Brasil e que seus jornalistas deveriam estar com vergonha. E conclui dizendo não saber o que se passou na cabeça dos editores. Bom, ao contrário dele, eu sei; e pra mim, é óbvio até demais. 

Antes de tudo, já vou avisando: não conheço o rapaz, não estou com inveja do blog dele, não estou rivalizando nem nada. Inclusive, achei muito bem sacado o título "A Época do bom senso já passou". Só que, assim como eu e qualquer outra pessoa que expõe uma opinião na internet, nada mais natural e inevitável que suas formas de pensar e de se expressar suscitem reações e críticas. E lendo o seu texto, vi que faltou a ele observar alguns pontos... 

O primeiro é que o objetivo primordial de uma revista é vender. Provavelmente, seria muito melhor se não fosse assim. Mas é. Então, a capa precisa ser um chamariz (e pode acreditar: nesse ponto, nem os editores da Caros Amigos pensam muito diferente). Isso impediu que muita gente comprasse a última edição da Época? Com certeza. Mas também com certeza muita gente que não tem o hábito de comprá-la o fez só por causa da capa. 

O segundo é que também seria muito bom se não fosse apenas assim, mas é: a imprensa se move pela novidade; e claro, uma que esteja bombando - daí o tal cantor na capa. Ou seja, não espere por exemplo ver outra capa da Época, Veja, Isto É, Time etcetera e tal com o World Trade Center em chamas, pelo menos até a semana que anteceder o aniversário de 20 anos do onze de setembro. 

E o terceiro: comunicador bom se garante e não "fica com vergonha", independente da capa da revista, do jornal ou programa onde dá as caras. Exemplo? Regis Tadeu, crítico musical respeitadíssimo, editor de revistas especializadas em música, colunista do Yahoo e do SoulRocker, apresentador e produtor na Rádio USP... E figurinha carimbada nos programas da Gimenez e do Raul Gil. Já o comunicador toscão simplesmente dá ctrl C e ctrl V no texto dos outros pro seu próprio blog; como fizeram vários com o do "Literatortura" (pelo menos, tiveram o "semancol" de creditar o autor). 

Pouco mais de quinze anos atrás, tanto a Veja como a Isto É estamparam o Mamonas Assassinas na capa - a despeito da qualidade, no mínimo, questionável do repertório dos caras. Mas ninguém pode, até hoje, questionar o sucesso que eles alcançaram. E não por acaso, as duas revistas também estamparam em suas capas o trágico fim do grupo. Então não há muito motivo para se chocar se a Época ou outra revista faz algo parecido hoje.  

Minha mãe é assinante da Época. E claro que ver o Michel Teló na capa da revista só pode resultar em três reações: uma delas é achar o máximo, abri-la e ir direto para a matéria que fala dele; outra é ficar indiferente por não saber bulhufas do tal loirinho (como foi o caso da minha mãe); e uma terceira é ficar incógnito, rir de desprezo logo depois e inicialmente, deixá-la de lado (exatamente como eu fiz). Só que isso não precisa impedir que tanto eu como qualquer outra pessoa que também acha o som dele uma bosta leia o restante da publicação. 

Aliás, se eu tivesse ignorado a Época somente pela impressão que me causou a capa, eu teria deixado de ler algumas coisas realmente interessantes... Uma delas foi o excelente texto da Ruth de Aquino sobre a galera que transforma a praia em lixão nas festas de final-de-ano, a quem ela chama sutilmente de "porquinhos" (eu que já não sou politicamente-correto nem nada, simplesmente os chamo de "porcos filhos-da-puta" mesmo); a entrevista com o escritor Umberto Eco e a do Jeffrey Sachs, economista estadunidense... A repressão que ainda rola na Rússia, apesar de já terem passado 20 anos desde o fim da ditadura comunista. Tem também um ótimo texto do Jairo Bouer, sobre os perigos de se dirigir por aí "de tanque cheio". Qualquer um desses tópicos poderia estar na capa. Só que o Michel Teló vende mais; e mais fácil, pelo menos por ora. E o porquê de isso acontecer já é algo mais complexo e que denota muito mais caracteres do que um simples texto de blog. 

Não preciso dizer, mas já dizendo, ignorei a matéria sobre o cantor; até porque, como declarou Umberto Eco em sua entrevista, "informação demais faz mal". Talvez eu até leia um livro dele qualquer dia. O que não dá é pra ficar julgando pela capa. E pelo menos essa lição eu aprendi aos dezenove anos... Graças à Playboy da Cindy Crawford.

 

 



Escrito por Gavin às 15h35
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Aê, Scott, autografa meu pendrive...

 

Scott Ian, guitarrista do Anthrax, está puto novamente. E só porque a gente... Digo, a gente não, todo mundo menos eu, continua baixando músicas de graça na internet.

Desta vez, durante uma entrevista à imprensa estadunidense, o careca voltou a atacar os downloads gratuitos - considerados ilegais nos EUA. E, ao ser perguntado qual deveria ser a conseqüência para quem baixa músicas e álbuns inteiros, Scott mandou a seguinte:

 

"Perder a internet. Se você dirige bêbado, perde a carteira. Se fizer download ilegal, perde a internet. A punição é adequada ao crime. Acredite, se eu pudesse, faria algo a respeito."


De um lado, músicos consagrados e multimilionários fazem biquinho por causa dos downloads. De outro, artistas desconhecidos que têm suas músicas baixadas sentem-se admirados e reconhecidos enquanto sonham com um lugar ao sol... Numa indústria que ainda tenta enxergar uma luz no fim do túnel.

 

Lógico que ainda há os fãs que baixam o som pra conhecer e, se gostam, compram o CD original depois; e é lógico que eles são minoria. 

 

Curioso é que, há pouco mais de vinte anos, muita gente fazia o mesmo com o famoso aparelho 3 em 1 (rádio, toca-discos e gravador) e nem os artistas e nem a indústria fonográfica achavam ruim. E a explicação é muito simples: naquela época, você dependia de ter o aparelho de som e algum amigo que tivesse o disco (ou se ele fosse boyzão, o CD...); ou mesmo de ficar literalmente esperando que a canção tocasse no rádio para você poder gravá-la numa fita cassete. E nos dois casos, a gravação nunca ficava com a qualidade dos originais - sobretudo no caso do rádio, já que as vinhetas das estações sempre cortavam o começo ou o fim da música. Mas com o advento do mp3, qualquer pessoa (menos eu, claro...) pode baixar a canção e enviá-la pra quem quiser via e-mail, msn, bluetooth... E com a mesmíssima qualidade do CD original; e considerando que só é necessário um computador conectado à internet, o acesso e, por conseqüência, a disseminação das músicas se tornaram muitíssimo maiores - comprometendo o lucro das gravadoras e, por tabela, dos cantores e bandas. 

 

Cobiça por parte dos artistas? Seria injusto concluir que pelo fato de esses caras já terem acumulado muita grana, eles não possam mais ter o direito de continuar a ganhar por seus trabalhos;  afinal, o músico preza pelo dinheiro que entra e sai do seu bolso. Só que, justamente nesse ponto, o fã também não é diferente.

 

Então, imagine se todo mundo pudesse encher o tanque do carro através de uma espécie de download gratuito? E se as pessoas pudessem "baixar" uma pizza ao invés de pedi-la pelo delivery? E se um casal de velhinhos pudesse fazer algo parecido com uma assistência médica decente sem ter de arcar com o custo extorsivo de um plano de saúde? E se um sujeito solitário numa noite de sábado pudesse dispôr daquela callgirl pronta pra fazer tudinho o que ele quer - e com um sorrisão no rosto? Bom, pra quem acha que eu já estou apelando, lembro que se trata apenas de uma reflexão sobre o conceito de gratuidade.

 

Então... Será que as pessoas continuariam abastecendo seus carros nos postos de combustível apenas por consideração às gigantes do petróleo, como a Shell e a Exxon Mobil? Continuariam a comprar a pizza apenas para que o dono da pizzaria não visse seu empreendimento ficar do tamanho de uma azeitona? E o casal de velhinhos? Será que eles continuariam pagando uma nota de assistência médica só pro convênio particular não tomar no SUS? E o sujeito solitário e olhando pro teto no sábado à noite...? 

 

E pra quem também acha que uma coisa não tem nada a ver com a outra... Bom, todos os casos acima custam dinheiro - assim como a arte, em muitos casos. A grande diferença é que som, imagem e texto não são coisas tangíveis, concretas. Mas são comercializados através de mídias concretas como CDs, DVDs, revistas, livros, etc. E a internet simplesmente quebrou o paradigma de se depender e de se pagar por essas mídias. 

 

Conclusão: reclamar ou até mesmo tentar barrar tal situação tem sido o mesmo que querer chegar ao último número enquanto se conta ao infinito. E, ao que parece, caras como Lars Ulrich, Gene Simmons, Frejat e o próprio Scott Ian ainda não se deram conta disso.

 

Portanto, Scott... Não fique bravo se qualquer dia, um pivete de quinze anos disser que tem a sua discografia completa e lhe estender o pendrive ou Iphone, ou seja lá qual for o apetrecho da vez para você autografá-la. Afinal, é muito, muitíssimo provável que esse momento esteja bem próximo...

 

 

 

 

 



Escrito por Gavin às 21h14
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O que é uma ervinha queimada em uma imensa área verde?

 

Eu não sou a Soninha Francine, mas vou confessar: eu fumei maconha.  


Foi há quase dez anos. Usei o verbo "fumar" no pretérito-perfeito porque foi uma única vez, pra nunca mais. Digo "nunca mais" porque não entrei num estado relax e nem fiquei ávido por um Cheddar McMelt com fritas e milk-shake de chocolate; apenas tive uma sensação terrível que misturava paranoia e depressão. Mas para quem questionar, eu reafirmo: sim, era maconha. E acredito que eu tive tais reações porque a erva não casou bem com as 75 miligramas diárias de ansiolítico que eu tomava para aplacar meus sintomas de TOC. 

 

No entanto, jamais neguei que poderia ter sido diferente: os efeitos poderiam ter sido prazerosos, a ponto de a experiência ter virado um hábito freqüente; até porque, sou humano, como todo maconheiro - e não me ofenderia de ser tachado como se tivesse continuado a fazer uso da substância.

 

Mas no último dia 27, três alunos da USP foram detidos pela Polícia Militar dentro do campus após serem flagrados fumando uns baseados. Enquanto eram levados para a viatura, outros estudantes resolveram protestar contra a prisão. Nesse meio-tempo, os três fumetas correram para o prédio da Faculdade de História.

 

Depois disso, alunos da universidade continuaram o protesto, acusando os policiais de terem agido com truculência. Vale a atenção à indumentária da galera, com rostos cobertos por camisetas e blusas, visual digno de presidiário em rebelião. E a maior reivindicação da turma: o fim do convênio com a PM, que foi assinado recentemente com o objetivo de reduzir a criminalidade no campus. 

 

Talvez isso fosse algo a considerar se vivêssemos em um mundo repleto de elefantinhos cor-de-rosa, voando, como aqueles que devem ser vistos por aí durante uma "brisa"; e de preferência, completamente desprovidos de aparelho digestivo. 

 

Mas não tem sido bem assim na vida real. Na vida real, uma aluna foi estuprada dentro do campus em 2006; outros seis casos ocorreram quatro anos antes no interior ou nas proximidades da Cidade Universitária, segundo a 3ª Delegacia de Defesa da Mulher; em maio deste ano, um estudante de 24 anos foi assassinado em um dos estacionamentos da universidade; este mês, logo após deixar o campus, uma aluna sofreu uma tentativa de assalto e, após ser atingida com um tiro no rosto, perdeu a visão de um olho. Ou seja, comprometer a segurança da Cidade Universitária com a retirada da polícia não soa como uma decisão das mais sábias - sobretudo se levarmos em conta que qualquer um tem livre acesso ao campus.

 

Não deixa de ser irônico (e, ao mesmo tempo, decepcionante) o fato de alguns alunos que ralaram seus miolos para entrarem na universidade mais conceituada do país não percebam a coisa dessa forma.

 

Há três anos, eu participei de um bota-fora na USP; eu já estava com 29 anos, era o único cara de roupa social e gravata (eu era bancário) e, óbvio, nem era aluno da universidade. Mas lá estava eu, com uma latinha de cerveja na mão, no meio da galera, fingindo que sabia sambar. Fui embora apenas a ponto de pegar o último ônibus pra casa. No dia seguinte, lá estava eu no banco (nem vou usar a expressão "firme e forte" porque, definitivamente, não era o caso). E antes que me perguntem o que o cu tem a ver com as calças, apenas lembro que álcool também é uma droga perigosa que pode causar dependência - mas nesse caso, seu consumo não sofre repressão por ser legalizado. O mesmo ocorre com o Marlboro Lights que eu fumei até os meus 26 anos.

 

Mas vamos supor que eu tivesse feito do consumo da maconha um hábito; e vamos supor que alguns anos depois, já nos meus tempos de universitário, eu fosse pego queimando um baseado no campus da minha Uninove; provavelmente, eu seria expulso - e duvido que alguém protestaria em minha defesa (no máximo, eu seria lembrado sob gargalhadas). Ou mesmo se eu estivesse na rua e fosse flagrado pela polícia, eu poderia ser levado à delegacia para assinar um termo circunstanciado - que não tem caráter punitivo e nem resulta em abertura de inquérito; exatamente como teria acontecido aos três maconheiros da USP. 

 

Porém, se até agora eu não entrei no lance da tal legalização da erva, é porque minha intenção não é essa. A questão é que, por ora, maconha ainda é uma substância ilícita e quem a consome está sujeito a ser repreendido - e com aluno da USP não deve ser diferente, dentro ou fora do campus. E não adianta querer que os meganhas passem batido simplesmente "porque tem coisa muito pior acontecendo por aí". Embora, claro, o eventual abuso dos policiais também não pode passar em branco.

 

Por outro lado... O que é o campus da faculdade que eu frequentei comparado ao da USP? E o que é uma ervinha queimada no meio da imensa área verde e arborizada da Cidade Universitária? Bom, se realmente não for nada de mais, os vários alunos que estão protestando só tem demonstrado o contrário...

 

 

 



Escrito por Gavin às 03h31
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Um caso sério de vergonha

 

 

Se dependesse apenas da minha vontade, eu viveria todos os meus sábados à noite como um rockstar: à base de sexo e rock n' roll; as drogas, eu dispensaria.

 

Só que, obviamente, nem tudo na vida é como a gente quer. E nem por isso, eu perco o meu tempo assistindo à Zorra Total - até porque, como acabei de mencionar, tenho o hábito de dispensar as drogas. Mas para poder formular este texto, tive de me torturar por pouco mais de vinte minutos e assistir por mim mesmo a alguns vídeos de um de seus quadros: aquele que se passa num vagão de metrô, onde mostra os diálogos sem-graça (com direito a bordões patéticos) entre uma dama de paus e uma moça feiosa. 

 

A premissa do quadro não é muito diferente da "piada" (sim, continuo a usar as aspas) de Rafinha Bastos, sobre a aparência de mulheres vítimas de abuso sexual. 

 

Após críticas (bem fundamentadas, diga-se de passagem) da Secretaria de Política para as Mulheres e do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, agora a estudante de 21 anos que teria sido molestada por um advogado no metrô também atacou o quadro em uma reportagem veiculada na Folha de São Paulo. 

 

Entre os mais de setecentos comentários sobre a reportagem no Folha.com, chama a atenção o de um rapaz:

 

"Quer justiça? Procure fazer corretamente pelos meios legais. Quer aparecer? Põem [sic] uma melancia na cabeça. Os atores Rodrigo Sant'anna e Thalita Carauta não merecem retaliação nem dessa moça e nem de ministras." 

 

"Meios legais"... Se o acusado for realmente culpado... Ele já está solto - enquanto os eventuais sentimentos de medo e revolta permanecem com a jovem.

 

Talvez então valesse mais a pena açoitar os potenciais maníacos dos coletivos com uma agulha de costura, como sugere outra moça em outro comentário. Pois é, talvez... Porque se eu fosse mulher, não me arriscaria a estar perto de um desconhecido que, após as minhas eventuais espetadas, poderia sangrar a uma distância tão minúscula como a promovida por um vagão em horário de pico; afinal, ainda vivemos em tempos de Aids e outras doenças transmitidas por contato sanguíneo (mesmo sendo ínfima a possibilidade de contágio nesse tipo de situação)...

 

Já sobre a menção de a estudante querer aparecer e sugerir que ela use "uma melancia na cabeça" dá uma excelente dimensão da (total falta de) coerência do cara - visto que a jovem usa o direito de não se identificar e nem de mostrar o rosto. E muito pior do que uma reflexão tão falida, é ver que, até então, noventa e três pessoas que a leram clicaram em "curtir"; contra apenas vinte e sete que discordaram do mesmo comentário.

 

Fica a grande questão, a nossa vergonhosa condição como "receptores": não quem conta a piada ou idealiza e faz parte de um quadro extremamente sem-graça e ofensivo, mas quem é suficientemente babaca e limítrofe para conseguir rir depois; não o fato de o Jornal Nacional usar metade de sua duração "vendendo" a notícia do crime X num país imenso como o Brasil, mas simplesmente porque tem muita gente do nosso imenso país "comprando" a tal notícia à frente da TV; não pelo fato de um sujeito que só deve ser engraçado para os mesmos limítrofes que vêem graça na Zorra Total, Escolinha do Gugu e adjacências use o seu personagem para se candidatar a deputado federal e assumir que não entende bulhufas das funções que competem ao cargo, mas por ele ser eleito depois - e o mais votado(!).

 

Ultimamente, só se associa Brasil e vergonha à falta de estrutura e atrasos nos preparativos para a Copa de 2014. Nem vou entrar na suposição mais que manjada de que isso acontece porque brasileiro só quer saber de futebol. 

 

Mas se para a grande maioria esse for o único motivo para nos envergonharmos... Nosso caso é muito mais sério do que imaginamos.

 



Escrito por Gavin às 22h33
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O problema está no rock n' roll, não no Rock in Rio

 

Dizem que ir ao Rock in Rio é uma experiência única. E é mesmo; aliás, é uma das poucas coisas das quais eu posso me gabar. Domingo, 14 de janeiro de 2001, eu estava lá com mais nove amigos pra ver o Guns n' Roses. E sim: o Rio de Janeiro continua lindo.

 

Na verdade, de Guns n' Roses mesmo, só o Axl e o tecladista Dizzy Reed. E, ainda assim, o show valeu (e muito!) pelos clássicos. Mas o problema nem era a ausência da formação original e sim o fim da esperança que o tal "Chinese Democracy" (álbum que o vocalista enrolou mais sete anos pra lançar) salvaria o rock n' roll. Mas isso é assunto pra outra ocasião...

 

Agora, muita gente anda fazendo birra por causa dos artistas e bandas escalados para o festival que finalmente voltou a rolar no Brasil. O discurso ganhou força quando o Serguei (aquela tia peruquenta que "acasala" com árvores) disse que o evento "foi desfigurado" e, mais recentemente, com o João Gordo acusando a produção de privilegiar os nomes gringos em detrimento às bandas brasileiras de punk e metal.

 

Mas lembremos um pouco de alguns nomes que estiveram nos primeiros festivais: Freddie Mercury e Cazuza morreram de Aids. Michael Hutchence, vocalista do INXS, foi encontrado morto em um quarto de hotel na Austrália, aparentemente, por suicídio. Billy Idol continua o mesmo... Mas sem a mesma popularidade. Nina Hagen... Bom, não fosse por ter gravado "Garota de Berlim" com o Supla, essa aí só seria lembrada no Brasil pelo Rock in Rio mesmo...

 

O primeiro Rock in Rio tinha como público-alvo a galera entre 15 e 25 anos. Já o segundo, em 1991, a galera entre 15 e 25 anos. Em contrapartida, o terceiro festival, em 2001, focava na galera entre 15 e 25 anos. E, finalmente, o de 2011... A galera entre 15 e 25 anos. Ou seja, o problema não está bem no público-alvo, mas no que esse público anda ouvindo. E tirando aqueles que ouvem o rock que preste, os outros vêem o estilo representado hoje em dia por nomes como Radiohead, Los Hermanos e... Restart. 

 

Só que pra entender como a cena rock ficou assim, é preciso olhar um pouco pra trás, lá pelo começo dos anos 1990, quando o grunge de Seattle emergiu e se tornou uma tendência. A postura despretensiosa e totalmente anti-comercial de bandas como Nirvana e Pearl Jam simplesmente enterrou o mito do rockstar. Não demorou muito e pegando carona, veio o dito rock alternativo (e choroso) de bandas como Smashing Pumpkins e Blur. E não por acaso, o rock começou a ficar atrás do rap em vendagens nos EUA (o principal mercado). Apesar disso, só a título de exemplo irônico, foram de duas bandas de rock as turnês mais rentáveis de 2010 - U2 e Bon Jovi.

 

Talvez fosse legal se o evento reunisse os outros grandes nomes do rock que ainda estão na ativa: Bruce Springsteen, Def Leppard, Whitesnake, Mötley Crüe, Rob Zombie, Megadeth, Alice in Chains, Van Halen, Sebastian Bach, KISS... 

 

Mas aí, vem a questão: será que os fãs dessa turma seriam suficientes para encher a Cidade do Rock a essa altura do campeonato? E mais: será que eles (muitos que, como eu, já passaram dos 25) se prestariam a vir de outras cidades e estados apenas para vê-los? Eu só posso responder por mim: ainda vou a shows; mas dificilmente iria ao Rock in Rio novamente. E acho que posso responder o mesmo pela grande maioria dos caras que foram comigo há dez anos.

 

E como não dá pra realmente saber, é melhor não arriscar e apelar pros nomes do momento - e que agradam o tal público-alvo; e é aí que entram as Rihannas e Shakiras da vida no meio de Metallica e Guns n' Roses.

 

Então, não adianta nada a galera que foi nos festivais anteriores ficar lamentando sobre o fato de "roqueiros" como Martinho da Vila, Claudia Leitte, Emicida, Katy Perry e a própria Rihanna darem as caras por lá. Até porque essa diversidade musical já vem dos eventos de outrora: de Ney Matogrosso e Alceu Valença a New Kids On The Block e Britney Spears abusando do gogó em playback. Sem falar que até Sandy e Junior já teve... O caso é que, já há muito tempo, simplesmente não surge uma novidade em termos de rock n' roll capaz de ofuscar ou, pelo menos, fazer frente com o pop e o rap. E isso já começou a refletir no festival.

 

Por outro lado, eu fico muito feliz que os nomes que eu sugeri não venham pro Brasil por causa do Rock in Rio. Por quê? Bom, primeiro por "questões de logística": eu não precisaria ir até o Rio para vê-los; segundo, porque eu não teria tempo, disposição e muito menos a paciência de um moleque de 17 anos para acampar 48 horas na fila antes do show (e disputar por um lugar decente num evento sem Pista Vip); na verdade, sou muito mais vê-los num local bem menor onde eu possa ter uma visão mais privilegiada.

 

O Serguei pode até ter traçado a Janis Joplin. Mas convenhamos que a Rihanna, a Claudinha Leite, a Shakira e a Katy Perry, além de estarem vivas, são muito mais gostosas (e, até onde a gente sabe, nenhuma delas é chegada em heroína...). E cá pra nós, quem é o Serguei pra discursar sobre enganação? Esse infeliz acha que está enganando alguém com aquela peruca? E mais alguém além do seu próprio reflexo no espelho quando posa de rockstar? 

 

Ok, deixa ele... Até porque, na realidade, o Serguei não é "o" mané que se acha "o" roqueiro. Ele é só o mais famoso. Todos os outros estão mandando cover de "Have You Ever Seem The Rain" pra se garantir em palco de barzinho.

 

 



Escrito por Gavin às 06h53
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Bye Que Bye Bye Bye, Amy

Ok, sério... Eu não vou começar perguntando algo como "Alguém tinha dúvidas de que ela terminaria assim?" porque ainda teria gente respondendo que sim.

Amy Winehouse está morta. E até o presente momento, ainda não se sabe a causa de sua morte. Mas até onde todo mundo já deduz, foi o óbvio: overdose.  

E a não ser que a cantora tivesse encarado uma rehab das boas - uma de verdade, não uma pausa para ouvir o próprio hit - quem sabe ela teria dado a volta por cima? Mas (infelizmente) também era óbvio: a morte de Amy era apenas uma questão de (pouco) tempo. 


O segundo e último disco da cantora, "Back To Black", saiu já faz quase cinco anos. De lá pra cá, mais do que os elogios da crítica, os prêmios, seus inúmeros fãs, o que mais se leu, viu e ouviu por aí sobre ela foram as notícias envolvendo barracos, drogas, apresentações sofríveis, drogas, incontáveis flagras de embriaguez, drogas, prisões, drogas, os peitos teimando em sair do top, drogas, shows cancelados, drogas. 


A aparência que ficou reduzida, no mínimo, ao completo desleixo, com direito a magreza absurda, narinas ostentando pó, um desbragado (e, por assim dizer, repugnante) sorriso com dentes faltando apenas davam conta de uma autoestima e até mesmo de um superego dignos de lamento. Eu até poderia usar uma das várias fotos mostrando-a dessa forma para ilustrar este texto. Porém... Bom, eu sei que pode parecer impossível de se acreditar, mas é verdade: nem mesmo eu sou tão infame assim. 


Para a imprensa, o prato só fica mais cheio com o cabalístico número 27, a idade de Amy. Assim como Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Kurt Cobain e Jim Morrison. Todos mortos aos 27 por abuso de drogas. 


Ah, o Cobain não morreu de overdose? Pois é, ele estourou os próprios miolos com uma pistola... Só que, antes disso, a heroína que ele havia injetado nas próprias veias teria sido suficiente para matá-lo mais três vezes. Ou seja, a menos que o cantor fosse um super-humano como aqueles que aparecem no Discovery Channel, de um jeito ou de outro, muito provavelmente, ele teria ido pro saco naquela mesma noite. Ou mais cedo ou mais tarde... Talvez até procurando por outras veias na própria virilha. Ou, quem sabe, ele poderia também ter um genoma digno de Ozzy Osbourne, ter sobrevivido e depois deixado os momentos nóias para trás; como o próprio Madman fez - e continua fazendo.


O triste fato é que se esses caras que ganham (muita) grana para se tornarem ídolos da música, rodar o mundo, ganhar prêmios etcetera e tal não conseguem viver em paz, não adianta nada pro fã ficar com o coração pequeno e querer que o (a) infeliz tenha paz após a morte. São apenas pessoas que adoeceram após se deixarem seduzir pelo maldito prazer das drogas. 


Mas o problema não é quando o mundo gira ao redor de um grande astro ou estrela da música. O ruim mesmo é quando o mundinho do fã gira em torno de seu ídolo. Muito mais doentes do que alguns ídolos em si, são alguns (ou melhor, muitos) fãs que os transformam em verdadeiros mártires. Exemplo? Que tal os do Michael Jackson? Não foi ele que já tinha deixado a genialidade musical para trás vários anos antes de seu último suspiro para se transformar em uma aberração com Síndrome de Peter Pan? Quantos que antes de ficarem sabendo de sua morte e concederem a ele a posição de um verdadeiro semideus não tiraram uma onda com suas histórias que envolviam a forma bizarra de criar seus filhos, suas preferências sexuais, sua quase falência financeira, seu rosto deformado pelas inúmeras plásticas, seu suposto nariz de massinha de modelar e seus momentos no banco dos réus por acusações de pedofilia? 

Por isso... Nada de "R.I.P., Amy";  deixemos esse clichê para a sua lápide que, daqui uns anos, poderá ficar como a do Jim Morrison: rodeada por bitucas de cigarros (os "caretas" e os "de artista") e camisinhas devidamente utilizadas, cheirando a urina etc. Como diria a Angélica nos anos 80 - ao cometer a heresia de gravar sua "versão" de "Light My Fire", do Doors... Apenas um "Bye Que Bye Bye Bye, Amy".

 

 

 

 



Escrito por Gavin às 03h18
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A diferença entre  pouquíssimos e qualquer um

Há pouco tempo, eu concluí que o humor é o gênero mais pessoal de todos. Por exemplo, conheço gente que vê graça com “A Praça É Nossa” (?!?!?!) e também conheço gente que acha o Jerry Seinfeld um mané. Eu discordo totalmente nos dois casos. Por outro lado, não conheço nenhum outro indivíduo na face da Terra (mas espero que esse alguém exista) que também sinta vontade de transformar o controle-remoto em arma de fogo quando o Mr. Bean aparece na tv.

Da mesma forma, também nunca vi a menor graça no Rafinha Bastos nem no resto da turma do CQC. E olha que eu já tentei assistir ao programa. Mais de uma vez. Juro. E juro também que já consegui achar mais graça em comercial da Semp Toshiba. De novo, juro. 

Mas claro, até aí, é só o meu gosto...  

E agora, o humorista entrou na mira do Ministério Público por conta de uma “piada” (na boa, as aspas são mais do que necessárias nesse caso) que supostamente incita e faz apologia ao estupro. Pra quem ainda não viu, segue o disparate logo abaixo:

“Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço.”

Há quem tome partido e defenda que o caso não seja de polícia. E há também quem defenda (incluindo o engraçadinho em questão) a idéia de que não deva existir limites para o humor; afinal, seu único e verdadeiro intuito é fazer rir - e sempre terá alguém rindo depois. Esta é uma conclusão pra lá de simplória (pra não dizer oportunista) quando se trata de meter o bedelho em tanta complexidade.

E pode acreditar: com certeza, pelo menos um (outr0) paspalho achou graça nas palavras do paspalho.

Ser politicamente-incorreto é uma dádiva para pouquíssimos. E é deliciosamente odioso quando se faz rir. Mas a diferença entre o politicamente-incorreto e o completo imbecil é muito tênue. Já a linha que separa “qualquer um” e “pouquíssimos” é tênue como a distância entre os dois pólos da Terra. É como querer comparar um doce de abóbora em forma de coração a um sorvete Häagen Dazs. Sabor Baileys Irish Cream.

Não ficou claro? Observe este exemplo: quando se tenta tirar uma onda com o trauma e até mesmo com a aparência de mulheres (sem falar nas muitas meninas) que sofreram violência sexual apenas mostra o quão imbecil qualquer um pode ser. 

Enquanto, isso Rafinha Bost... digo, Bastos, apenas responde: “Faço o meu trabalho”.  Se essa foi mais uma de suas piadas...  Só pra variar, eu não ri.

Na verdade, são apenas palavras simples de um sujeito (muito) bem-pago, divertido e descolado para alguns, gatinho para algumas minas, o mais influente do Twitter, segundo o “The New York Times”... E notoriamente insignificante e sem-graça para uma galera.

 

 

 

 



Escrito por Gavin às 13h36
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Quem sou eu?
 

Isto era pra ser apenas mais um post no Facebook. Mas é grande demais, ultrapassa o limite de caracteres. 

Acho que todo mundo já se perguntou “quem sou eu?” em algum momento da vida. É possível que alguns mais encanados dêem o último suspiro repetindo essa pergunta a si mesmo. Eu mesmo já pensei nisso várias vezes ao longo da minha existência.

Mas eu achava que já tinha passado dessa fase. Até agora há pouco.  E eu comecei a lembrar de umas coisas, juntar uns fatos... Por exemplo, alguns deles: 

Eu sempre soube que o Josh Saviano (o Paul Pfeifer de “Anos Incríveis”) e o Marilyn Manson não ocupavam o mesmo corpo; 

Eu sei que o quebra-pau entre o Lobão e o finado Clô não passa de uma lenda urbana; 

Ninguém batia meu recorde no River Raid (ok, isso serve mais para mostrar que eu não sou mais moleque há muito tempo); 

Eu sei o nome de pelo menos cinco membros da Tropa dos Lanternas Verdes;

Dez anos atrás, alguns amigos meus acharam que eu estava falando merda ao explicar que o termo “maconha” é, na verdade, um anagrama da palavra “cânhamo”. 

Oito anos atrás, eu deixei de sair com uma então namorada pra ir ver o “Exterminador do Futuro 3” no cinema. Sozinho. E já sabendo que o filme era uma bosta que fedia a cem milhões de dólares. Um mês depois, ela me largou; 

Seis anos atrás, (sozinho) no cinema numa tarde de quarta-feira, esperando para ver “Batman Begins”, percebi já pelo trailer que “A Ilha” era um filme do Michael Bay; 

Cinco anos atás, expliquei a um francês que o termo “sabotagem” vem da palavra “sabot” (“tamanco”, em francês) – e quem quiser saber mais sobre o vínculo entre os dois vocábulos, que use o Google; 

Hoje, começo de domingo, voltei da festa junina do bairro e, sentado de frente pro PC, reconheci a voz do Denis Leary dublando o tigre em “A Era do Gelo 3”. E agora, vou assistir ao final da primeira temporada de “The Sopranos”.

Eu sempre acreditei que poderia ser o quinto integrante do Mötley Crüe. Mas será que... Eu sou um nerd? 

Não pode ser... Eu repeti o segundo ano do Ensino Médio - e direto, em todas as matérias!  Aliás, algo até me diz que um número relevante de pessoas associa a mim o termo “vagabundo” em seus pensamentos (apesar de eu trabalhar dez horas por dia, de segunda à sexta).

Mas no ano seguinte à minha repetência... Eu tirei dez em pelo menos três provas de matemática... Nem precisei fazer a do último bimestre.

Será que eu apenas bebi além da conta esta noite pra ficar encasquetando com isso tudo? Mas foram só duas latinhas e fazia tanto tempo que eu não consumia álcool, nem lembro quando tinha sido a última vez.

Duas latinhas??? E já estou cheio de questionamentos??? 

Cristo... Eu acho que sou um nerd sim.


 


 



Escrito por Gavin às 01h24
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O que será que eles estão pensando neste momento?

Agora até a Al Qaeda confirmou: Osama Bin Laden está morto. Mas da foto mostrando o corpo do homem mais procurado do mundo, necas.

Enquanto até aqueles de sangue mais quentinho continuam na expectativa por ver a imagem do terrorista morto com um tiro na cabeça, ensangüentado e com massa encefálica escorrendo por uma das órbitas oculares, eu já arrisco alguns palpites sobre o que têm pensado algumas personalidades nos Estados Unidos... Aí vão alguns deles: 

"Eleições 2012? É NÓIS!!!" [Barack Obama]

"Ele é jovem, negro, nasceu no Havaí, elegeu-se presidente... E matou o Bin Laden... Ok, já dá pra fazer um filme sobre ele também." [Oliver Stone]

"Um filme sobre a caçada a Bin Laden? Ok, mas agora é pra ganhar uma grana..." [Kathryn Bigelow] 

"Ah, o Obama não quis mostrar o presunto do Bin Laden? Então, vou fazer um documentário e... e... Peraê! Eu sou democrata!" [Michael Moore]  

"Mataram ele mesmo?" [Rosie O'Donnell]

"Mataram ele mesmo?" [Marion Cotilliard]

"Mataram ele mesmo?" [Charlie Sheen]

"..." [Donald Trump]  

E quanto à última foto do Bin Laden... Estamos na era digital. Se a tal imagemrealmente existir, mais cedo ou mais tarde, ela vaza... Aí, todo mundo poderá ter certeza (ou não...) e o governo estadunidense poderá ficar feliz por todo mundo poder ver por si mesmo... E com a consciência limpinha por não ter divulgado a prova.

 



Escrito por Gavin às 18h00
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Obama: o menor de nossos problemas

 

 

 

 

Em 2007, foi com o Bush. Agora o mesmo acontece com o atual presidente estadunidense, Barack Obama. Na noite de ontem, a polícia do Rio de Janeiro reprimiu, no centro da cidade, uma manifestação promovida por um partido político contra a visita de Obama ao país. O TV UOL exibiu um vídeo no qual um grupo nacionalista também se posiciona contra a visita do presidente.

 

O discurso da turma não mudou muita coisa. Porém, entre o velho esculacho sobre imperialismo, interesses escusos, McDonald's e o cacete a quatro, vale o destaque para as palavras de um jovem que admite só aprender inglês “porque no colégio é exigido (...) pra não ser reprovado”.

 

Obviamente, o Obama e os Estados Unidos ou qualquer outro país ou presidente não precisam de mim como advogado de defesa – e, definitivamente, minha intenção nem é essa.

                              

Então, seguindo tardiamente a onda do slogan “Change We Need” (algo como “precisamos mudar”), que o próprio Obama usou em sua campanha presidencial em 2008, eu proponho que esses grupos também mudem de postura em suas manifestações. E já que, aparentemente, o único problema do Brasil resume-se a chefes-de-estado estrangeiros bicões, sugiro também a você, que faz parte dessa galera movida pelo nacionalismo e patriotismo que, ao invés de sair por aí metendo o pau e arrumando encrenca com os meganhas, apena abra um largo sorriso em seu rosto, enaltecendo dez dos vários grandes feitos do nosso país:

 

1- o reajuste salarial de mais de 60% que os deputados concederam a um grupo muito seleto de profissionais (se você não for capaz de se lembrar ou mesmo de saber que grupo foi esse, eu não apenas lamentarei/debocharei muito por sua memória e intelecto, como também lhe darei o direito de se incluir como o décimo-primeiro item desta lista);

 

2- o nosso salário-mínimo que, pelo jeito, sempre será... “mínimo”;

 

3- o nosso sistema de saúde pública que agoniza como um infeliz que foi espancado, esfaqueado, mutilado, atropelado, baleado, etc;

 

4- o nosso sistema de educação que forma, a exceção de alguns, aquele típico miolo-mole autor das tais pérolas do ENEM que ficam a bombar nos nossos e-mails;

 

5- o “cidadão” porcão que joga lixo na rua e deixa que seu cachorro use as vias públicas como um imenso sanitário particular;

 

6- a nossa justiça lerda, que não pune como deveria punir e que privilegia os que têm mais grana na conta, no bolso, na Bolsa...;

 

7- a nossa carga tributária, uma das maiores do planeta – e que só serve de exemplo pra Hillary Clinton porque o estrago não é no bolso dela;

 

8- a exploração do trabalho infantil - pois é, ainda tem (muita) gente achando que a molecada tem de cumprir expediente pedindo esmola no farol ou vendendo drops nos barzinhos;

 

9- os preconceitos existentes entre os próprios brasileiros – e que são alimentados/proliferados pelos babacas via Twitter, Orkut, Facebook...;

 

10- os eleitores que ainda teimam em igualar o ato de digitar na urna eletrônica ao de, digamos assim, “limpar o salão” - caso você tenha se ofendido por este item, sinta-se no direito também de se colocar no décimo-primeiro. E caso já o tenha feito com o primeiro item, não se preocupe: adicione-se a um décimo-segundo; em seguida, claro, continue a realizar a façanha de viver consigo mesmo (o que não deve ser lá muito difícil, pois afinal, como dizem os próprios yankees, “Ignorance is Bliss”...).

 

E claro... Não se esqueça do já tradicional nariz de palhaço quando celebrar a tudo isso; afinal, pode acreditar: mais do que todos os outros, você o merece.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 



Escrito por Gavin às 22h12
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